Gandhi disse:

" Há o suficiente no mundo para todas as necessidades humanas. Não há o suficiente para a cobiça humana" - Gandhi

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

O que fazer com o lixo

Rios contaminados, lixo crescente, barulho, fumaça e estresse. As grandes cidades cobram um preço alto a seus moradores.
Uma campanha lançada em 2009 pela entidade SOS Mata Atlântica chamou atenção: ela sugere fazer xixi durante o banho! Uau! A proposta busca conscientizar as pessoas da neces¬sidade de economizar água, no caso uma descarga média de 12 litros por dia, que já faria diferença. A campanha ensina que a urina é basicamente 95% água, mais uréia e sal. Mesmo assim, parece nojento, não?
Geralmente, nos esquecemos de que a água do banho e da louça se junta à da sujeira fedida da privada depois que descem pelos canos. Que desgosto é reencontrá-la a seguir, no rio em frente, multiplicada milhares de vezes e muito mais malcheirosa.
Há poucas décadas, esse problema era tratado como de longo prazo nos países em desenvolvimento, sem impacto ime¬diato. Mas agora ele se soma a outros, e tudo começou a ficar grave demais com o gigantismo das cidades.
Cidades ricas geram mais lixo por cabeça, por seu alto padrão de consumo. Mas, se as cidades pobres produzem menos, a falta de destino e tratamento adequado dos re¬síduos cria um enorme problema.
O esgoto ameaça nos deixar sem manan¬cial de água limpa, cresce o volume do lixo e há a necessidade de separar para reciclar. Tudo agora atinge o morador das grandes cidades diretamente. No que se refere ao saneamento, porém, há exemplos de países em desenvolvimento em que "alguém fez alguma coisa" e conseguiu se virar o jogo.
Um dos sinais de alerta a respeito do problema foi a epidemia de cólera, que se propaga pela contaminação das águas por esgoto, que atingiu a América do Sul em 1991, deixando desde então 400 mil doentes, dos quais 4 mil mortos. Naquele momento, apenas 13,7% do esgoto canali¬zado das áreas urbanas de toda a América Latina recebia algum tipo de tratamento. Mas não foram apenas as perdas de vidas humanas. O Peru deixou de exportar 700 milhões de dólares em peixes enquanto a epidemia durou.
No vizinho Chile, a epidemia de cólera acabou sendo um fator decisivo, que mu¬dou o rumo das políticas públicas para o saneamento e o meio ambiente. O país passava de rural para urbano em ritmo acelerado (85% da população atual é ur¬bana) e estava se firmando, também, como exportador de salmão por piscicultura em
lagos. O governo deflagrou um programa ambiental com saneamento acelerado, com um investimento de 2 bilhões de dólares. O volume de esgoto coletado e tratado subiu de 8% em 1989 para 73% hoje.
"Mais de um quarto da população do mundo em desenvolvimento vive sem condições sanitárias adequadas. O pro¬blema é particularmente grave na África Subsaariana, sul e leste da Ásia, onde 45%, 33% e 31% da população urbana, respecti¬vamente, não tem banheiros adequados. A falta de higiene e de saneamento responde por 1,6 milhão de mortes anualmente no mundo", diz um relatório da ONU.
Segundo dados do Banco Mundial, citados pela UN Habitat, ocorreram 54 mil mortes de pessoas no ano 2000 na América Latina, atribuídas a água con¬taminada, saneamento e a outros fatores de falta de higiene.
Doenças

Um indicador dos novos tempos é a migração de doenças para as cidades. É o caso da dissemina-ção da dengue em algumas partes do mun¬do e no nosso continente, pois o mosquito transmissor da doença migrou das áreas de mata para as áreas urbanas, adaptando-se. No Brasil, a dengue transformou-se na principal doença epidêmica a ser combatida por programas públicos, além da Aids. A infestação generalizada do mosquito Aedes aegypt criou outro problema nas cidades que estão em áreas de mata em que ocorre a febre amarela, pois esse mosquito vira também transmissor dessa doença quando pica uma pessoa com a febre.
Nos grandes conglomerados urbanos da África e da Ásia, a falta de coleta de
lixo provoca a contaminação de todo o ambiente: não apenas das águas, mas dos terrenos baldios e das ruas. Há prolifera¬ção de insetos e ratos, com a incidência da leptospirose, transmitida pela urina dos ratos. A falta de drenagem da água, pela ausência de galerias pluviais, torna as enchentes mais graves e generaliza a incidência dessa doença. Em Freetown, a capital de Serra Leoa, na África, metade do lixo urbano não é coletada. No Cairo, a capital do Egito, apenas um terço é re¬colhido pelo poder público.
Outro causador de doenças urbanas é a poluição do ar por partículas suspensas
e substâncias venenosas para o homem, como dióxido de enxofre (SO2), dióxido de nitrogênio (NO2), monóxido de carbo¬no (CO) e dióxido de carbono (CO2). Essa poluição aumenta o número de doenças e infecções respiratórias, como rinite, sinusite, asma e bronquite.
Segundo a Organização Mundial da Saú¬de, mais de l bilhão de pessoas na Ásia já vivem sob índices de poluição diários supe¬riores ao que a entidade recomenda, e a po¬luição do ar provoca a morte prematura de 500 mil pessoas anualmente. Estimativas do Banco Mundial, com base em dados de Mumbai (índia), Xangai (China), Manila (Filipinas), Eangcoc (Tailândia), Cracóvia (Polônia) e Santiago (Chile), indicam que os males causados pela poluição do ar res¬pondia por dois terços de todos os custos sociais dessas cidades em 1993.
A poluição do ar é considerada muito grave dentro de casas pobres e de favelas, pelo uso de madeira e carvão para cozinhar ou para se aquecer. A queima de madeira libera 50 vezes mais poluentes que o gás de fogão. O processo envenena lentamen¬te o corpo, com CO, SO2 e NO2, e atinge principalmente as mulheres e as crianças, causando infecção respiratória. A ONU estima que mais de 2,7 milhões de pessoas morram anualmente 110 mundo por causa dessa poluição doméstica.

Estresse

O amontoamento de pessoas nas cidades leva a um dos maiores males de saúde da era urbana: o estresse. As pessoas perdem cada vez mais tempo no trânsito, ficam expostas a cargas de barulho crescentes e têm menos tempo para se alimentar corretamente, praticar atividades físicas e dormir. A situação agrava-se em áreas de alta densidade populacional, em que há muita gente por metro quadrado, seja levando em conta um bairro, seja consi¬derando moradias apertadas ou superlo¬tadas, em que falta privacidade.

Para saber mais leia: Atualidades vestibular – Editora Abril

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