Gandhi disse:

" Há o suficiente no mundo para todas as necessidades humanas. Não há o suficiente para a cobiça humana" - Gandhi

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

O Aral virou areal

Encravado entre o Cazaquistão, na Ásia Central, o Arai era o quarto maior mar interno do mundo até 1960. Ocupava uma área de 68 mil quilô¬metros quadrados- o equivalente a cerca da metade do Ceará. Naquela época, os 50 quilômetros cúbicos de água despejados a cada ano pelos rios que o alimentavam mantinham baixa a concentração de mi¬nerais na água, tornando-a própria para a existência de um rico ecossistema aquáti¬co. A grande variedade de peixes garantia o sustento de mais de 60 mil pescadores. Hoje, isso é história. O Arai está resumi¬do a três corpos de água muito menores, poluídos e ultras-salgados, que recobrem uma área equivalente a 10% da original. Em alguns pontos, o litoral recuou mais de 100 quilômetros, e as antigas ilhas brotam do solo arenoso como áridas montanhas.
A culpa pelo desastre foi o desvio dos rios Amu e Syr para irrigar as lavouras da União Soviética (URSS), nos anos 1960. E a catás¬trofe ambiental permaneceu relativamente desconhecida do mundo até1985. Naquela época, o nível de água já havia caído tanto que o mar se dividira em dois. Atualmente, além de supersaturada, a água que resta é extremamente poluída pelos agrotóxicos que escorrem das lavouras. Em condições tão adversas, todo o ecossistema do Arai ficou seriamente comprometido: das 32 espécies de peixe que ali viviam, restam apenas seis; as 319 espécies de ave que ha¬bitavam suas margens caíram para 160; e as 70 espécies de mamífero reduziram-se a 32. A insalubridade afeta também o homem. Ar¬rastada pelos ventos, a areia poluída do leito seco espalha-se por quilômetros, afetando as populações da área. Como resultado, au¬menta a incidência de doenças respiratórias, do fígado e dos rins e câncer da garganta e do esôfago. A expectativa devida da população local caiu de 65 para 61 anos.
Os especialistas consideram praticamen¬te impossível devolver ao Arai sua confi¬guração e suas características de 50 anos atrás. Mais fácil é corrigir a salinidade e a poluição em cada bolsão, isoladamente. A experiência do Cazaquistão no lago do norte demonstra que a recuperação pode ser rápida. Em 2006, apenas oito meses depois de concluída a construção de um grande dique para reter a água no Peque¬no Arai, o nível da água subiu 2 metros, espalhando-se por uma área 500 quilô¬metros quadrados maior, e a salinidade caiu. Os peixes voltaram e, com etes, a pesca - atividade econômica que garante a sobrevivência de comunidades locais. Para os lagos mais ao sul, o Grande Arai, as perspectivas não são tão boas. É que as obras, muito maiores, exigiriam dezenas de bilhões de dólares e dependem de acordos difíceis de se concretizar entre as nações que dividem a bacia do rio Amu.

Para saber mais leia: Atualidades vestibular – Editora Abril

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