Gandhi disse:

" Há o suficiente no mundo para todas as necessidades humanas. Não há o suficiente para a cobiça humana" - Gandhi

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Democratização da água

O Aqüífero Guarani é o principal reservatório subterrâneo de águas em território brasileiro

Essa política de uso das águas foi de¬finida por um comitê, formado em 1993, para acabar com a briga sobre quem tinha direito a que nessa bacia hidrográfica. Esse modelo, pioneiro no Brasil, inspirou quatro anos depois a Lei das Águas, dando a possibilidade de criar em nível nacional um sistema que harmonizasse os diversos usos dos mananciais - geração de energia, abastecimento da população e irrigação de cultivos. A Agência Nacional de Águas é o órgão do governo federal responsável pela gestão dos recursos hídricos no país. Esse trabalho é conduzido em parceria com os Comitês de Bacia, que se espalharam no Brasil, após a nova legislação. Os comitês reúnem representantes da sociedade civil em cada região para sugerir iniciativas para preservar os rios e evitar conflitos.
A atual legislação reconhece os vários usos para a água e determina que a prioridade seja sempre para o abastecimento humano e animal. O Brasil tem 89,1% da população urbana com acesso a redes de distribuição de água. Nas residências rurais, a situação é menos confortável: só 17% são atendidas. O uso doméstico e industrial corresponde hoje a 30% de todo o consumo do pais. O setor que mais utiliza recursos hídricos é a agricultura, com 70% do consumo.

Melhorar o uso
Um dos meios para equilibrar essas necessidades é a cobrança pelo uso dos rios por indústrias e outros agentes eco¬nômicos. Criado a partir da Lei das Águas, o sistema é aplicado nas bacias dos rios Piracicaba – Jundiaí - Capivari e do Paraíba do Sul, e há projetos para o inicio da co¬brança em outras regiões. Como resultado, para diminuir custos, muitas indústrias cortaram o consumo pela metade. Asso¬ciado a isso, reduzir o desperdício é uma das medidas para preservar mananciais. Outras iniciativas são o reuso de água por indústrias e a reciclagem de esgoto para irrigar jardins e lavar ruas.
O grande problema de água do Brasil é, sobretudo, seu mau uso. Em razão de uma rede de distribuição obsoleta, avariada e insuficiente para atender a população, 40% de toda a água encanada se perde. Além disso, mais da metade dos muni¬cípios brasileiros ainda não têm rede de esgoto, o que reduz a água potável dispo¬nível para o consumo da população.

Águas subterrâneas

Uma importante fonte potencial de abastecimento são as águas subterrâneas, aquelas que ocupam os espaços existen¬tes entre as rochas do subsolo e se movem pelo efeito da força da gravidade. Seu volume é calculado em cerca de 100 vezes mais do que o das águas doces superficiais (rios, lagos, pântanos, água atmosférica e umidade do solo). No território brasileiro, as reservas de águas subterrâneas em aqüíferos são estimadas em 112 trilhões de metros cúbicos, e o mais importante deles é o Aqüífero Guarani.
Trata-se da principal reserva subterrânea de água doce da América do Sul e ocupa 1,19 milhão de quilômetros quadrados. Esse aqüífero se estende pelo subsolo de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina e por partes do territó¬rio do Uruguai, do Paraguai e da Argentina. Uma camada de rocha basáltica retém as águas e as protege de contaminação.
Pelos atuais estudos, o Aqüífero Guara¬ni tem armazenado 45 trilhões de metros
cúbicos de água, dos quais 160 bilhões são extraídos por ano para diversos fins. No momento, ainda é pouco usado para esse fim, embora haja poços artesianos que captem suas águas. Em pontos nos quais chega mais perto da superfície, já está sofrendo ameaças de contaminação.
ESTUDOS DESMENTEM MITOS SOBRE O GUARANI

Um dos maiores reservatórios de água subterrânea do mundo, o Aqüífero Gua¬rani já foi visto como um imenso mar de água doce sob a América do Sul, com ca¬pacidade quase inesgotável e potencial para abastecer a população brasileira por cerca de 2.500 anos. Agora novos estudos feitos nos quatro países por onde ele se estende (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) começam a mostrar que a situação não é bem assim.
Os primeiros resultados das pesqui¬sas, coordenadas pela Organização dos Estados Americanos e pelo Banco Mundial, mostra m que pontos de difícil acesso e a existência de água salobra ou quente reduzem bastante o volume que realmente pode ser usado pelo homem. Além disso, o consumo excessivo em certas regiões já ameaça a manutenção do manancial que, se esperava, duraria para sempre.
O próprio tamanho do aqüífero está sendo revisto. Inicialmente se imagina¬va que ele ti n ha cerca de l,2 milhão de km2, mas os pesquisadores descobri¬ram que na Argentina ele é um pouco menor. Um mapa, previsto para ser lançado até o fim do ano, derrubará o mito de que o Aqüífero Guarani é contínuo e homogêneo, com a mesma disponibilidade de água potável em toda a extensão.
Pelas contas preliminares de pes¬quisadores da Unesp, autores do ma¬pa, apenas 40% do reservatório tem acesso fácil e viável. A maior parte do aqüífero está confinada sob rochas de basalto, que atingem em alguns trechos até 1,5 km de profundidade.

O Estado de S. Paulo, 20/3/2008 - Giovana Girardí

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