Gandhi disse:

" Há o suficiente no mundo para todas as necessidades humanas. Não há o suficiente para a cobiça humana" - Gandhi

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Água - Conseqüências da ação humana

A desigualdade de acesso chama aten¬ção. Existem muitas reservas de água em regiões desabitadas e poucas nas mais po¬pulosas, nas quais os impactos causados pelo homem, como exemplo, é a redução brutal do mar de Arai, na Ásia Central . Uma das grandes causas de problemas são as barragens nos rios para gerar energia ou acumular água para abastecimento. Calcula-se que 60% dos 227 maiores rios do mundo sejam bloqueados por barragens ou desviados por canais, com impactos para os ecossistemas, para a pesca e para a população. Essas obras reduzem o fluxo natural de sedimentos carregados para os oceanos, causando salinização do solo, inundações e outros estragos nas zo¬nas costeiras. Há mais de 45 mil grandes barragens, em 140 países. Só a China, para sustentar a economia em franca expansão, tem atualmente 105 obras dessa enverga¬dura sendo planejadas ou em execução. As barragens, somadas à poluição dos rios e lagos, colocam mais de 3 mil espécies na lista das ameaçadas de extinção, segundo a organização internacional The World Conservation Union (IUNC).
A escassez vai além da pouca quantidade - é também uma questão de má qualidade. A poluição por agrotóxicos das plantações, substâncias químicas das indústrias e esgoto doméstico das cidades faz com que se bus¬que água cada vez mais longe das cidades, a um custo maior. Saudáveis, só os rios dis¬tantes dos grandes centros urbanos, como o Amazonas, na América do Sul, e o Congo, na África, citados pela ONU como os menos problemáticos. Entre os mais poluídos estão o rio Amarelo, na China, e o Volga, na Rússia, onde a água potável se restringe a apenas 3% de sua bacia hidrográfica. No rio Colorado, nos Estados Unidos, a poluição transformou florestas em pântanos insalubres.

Saneamento urgente

Uma das conseqüências é o aumento das doenças associadas à falta de água e à polui¬ção dos mananciais, a maior causa de mortes no mundo. Cerca de 10 milhões de crianças morrem por ano acometidas de diarréia e outros males provocados pela água conta¬minada. Mais da metade das internações hospitalares no planeta resultam desses problemas, a um custo que supera 12 bilhões de dólares por ano. A urbanização contribui
para agravar o quadro. Atualmente, metade da população mundial vive em cidades, sem os serviços adequados de saneamento. No globo, uma em cada cinco pessoas não tem acesso à água nem a esgoto tratado. Para reduzir esse déficit, a ONU escolheu 2008 como o Ano Internacional do Saneamento Básico, para conscientizar os países a reduzir pela metade a população não atendida por esses serviços, até 2015. Para isso, é neces¬sário investir nesse período 10 bilhões de dólares por ano - menos de 1% do total gasto em programas militares no mundo.
Hoje, nos países em desenvolvimento, 90% do esgoto é devolvido à natureza sem nenhum tratamento. Como l litro de sujeira contamina 10 litros de água, é possível ima¬ginar o tamanho do estrago e seus reflexos. A poluição atinge, também, os oceanos, muitas vezes levada pelos rios que neles deságuam. As indústrias lançam no ambiente 500 toneladas por ano de produtos tóxicos. Diariamente, são despejados 2 bilhões de toneladas de lixo. Exemplo dessa contami¬nação é a "lixeira" do tamanho do estado norte-americano do Texas, no Pacífico Norte, onde pesquisadores encontraram quase l milhão de pedaços de plásticos por quilômetro quadrado, com efeitos nocivos à biodiversidade marinha.
Resultados da ação do homem na at¬mosfera, como a emissão de gases de efeito estufa, podem agravar a escassez de água. O aquecimento global aumenta a tem¬peratura dos mares e altera as correntes oceânicas que regulam o clima, promoven¬do mudanças no padrão das chuvas, que recompõem naturalmente os mananciais. Pesquisadores do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) advertem que o mundo deve se preparar para os efeitos das mudanças climáticas na provisão de água no planeta.

Eficiência e economia
Segundo especialistas, dar maior valor à água é um caminho para reduzir desigual¬dades e conflitos. Os serviços de abasteci¬mento precisam funcionar com eficiência, ser economicamente sustentáveis e ter pre¬ços justos. Atualmente, são os mais pobres que arcam com o maior custo da água. Em Dar es Salaam, na Tanzânia, os favelados pagam 8 dólares por mil litros de água comprada em latas, enquanto os mais ricos da cidade gastam 34 centavos pela mesma quantidade de água que chega às torneiras. No Reino Unido, esse mesmo volume custa 1,62 dólar e, nos Estados Unidos, 68 cen¬tavos. Países europeus aumentam a conta de água para reduzir o consumo.
O mercado de água já é bilionário. Em 2000, o Banco Mundial previu que, em alguns anos, esse comércio mundial vai movimentar l trilhão de dólares. Parte do lucro vem da água engarrafada. Em dez anos, o consumo do produto aumentou 145% no planeta, porque o consumidor não confia na qualidade da água que chega às tornei¬ras e aceita pagar até dez vezes mais caro pela segurança. Seguindo essa tendência, é crescente a exportação de água para países que necessitam dela para manter indústrias e cultivos agrícolas. Empresas também pla¬nejam ter lucros com o tratamento de esgoto. Atualmente, só 5% desse serviço é prestado por companhias particulares, mas vários pa¬íses têm planos de privatizar o saneamento básico, como forma de expandi-lo por um custo menor para o estado.

POLUIÇÃO E DESPERDÍCIO REDUZEM A ÁGUA DISPONÍVEL NO BRASIL

O país é rico em disponibilidade de água, com 12% do total do mundo, mas a distribuição no território é muito desigual.
Se o assunto é água, o Brasil é um país privilegiado. Sozinho, detém 12% da água doce de superfície do mundo, o rio de maior volume e um dos principais aqüíferos subterrâneos, além de invejáveis índices de chuva. Mesmo assim, falta água no semi-árido e nas grandes capitais, porque a distribuição desse recurso é bastante desigual. Cerca de 70% da reserva brasileira de água está no Norte, onde vivem menos de 10% da população. Enquanto um morador de Roraima tem acesso a 1,8 milhão de litros de água por ano, quem vive em Pernambuco precisa se virar com muito menos - o padrão míni¬mo que a ONU e a Organização Mundial de Saúde consideram adequado é de 1,7 milhão de litros ao ano. A situa¬ção pode ser pior nas regiões populosas, nas quais o consumo é muito maior e a poluição das indústrias e do esgoto resi¬dencial reduz o volume disponível para o uso, E o caso da bacia do rio Tietê, na região metropolitana de São Paulo, onde os habitantes têm acesso a um volume de água menor do que o recomendado para uma vida saudável.
Além da poluição, o que preocupa a maior metrópole brasileira é a ocupação irregular das margens de rios e represas, como a de Guarapiranga, que mata a sede de 3,7 milhões de paulistanos. A seu redor, vivem cerca de 700 mil habitantes. Com o desmatamento das margens para a construção das casas, grande quanti¬dade de sedimentos foi arrastada para a represa, que perdeu sua capacidade de armazenamento e ainda recebe o esgoto de milhares de residências. O problema se repete na represa Billings, também responsável pelo abastecimento de São Paulo- Esse manancial é o destino final das águas poluentes que são bombeadas dos rios Tietê e Pinheiros para manter o seu nível, necessário para garantir o fun¬cionamento da usina hidrelétrica Henry Borden, localizada no pé da serra do Mar, em Cubatão.
Com a escassez resultante, a alternativa foi trazer água de uma bacia hidrográfi¬ca vizinha, a do rio Piracicaba – Jundiaí - Capivari, que hoje abastece a metade da metrópole paulistana. Isso acabou gerando uma disputa regional. No total, 58 municípios compartilham esse ma¬nancial, e a solução foi criar o Banco das Águas, um acordo que estabelece cotas de captação para a região metropolitana de São Paulo (31 metros cúbicos por segun¬do) e para o conjunto dos municípios da região de Piracicaba (5 metros cúbicos por segundo). Nesse sistema, tanto um lado como o outro podem ir além desses limites como compensação, caso tenha retirado menor quantidade de água em períodos anteriores.

Para saber mais leia: Atualidades vestibular – Editora Abril

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