Gandhi disse:

" Há o suficiente no mundo para todas as necessidades humanas. Não há o suficiente para a cobiça humana" - Gandhi

domingo, 18 de abril de 2010

Parques Nacionais da Região Norte

São sete os parques nacionais situados dentro dos limites da região Norte do Brasil, que inclui toda a área da floresta amazônica brasileira. São eles os parques nacionais da Amazônia, do Pico da Neblina, do Jaú, do Cabo Orange, de Pacaás Novos, da Serra do Divisor e do Monte Roraima. Perfazendo uma área total de 7.571.801 hectares preservados pelo governo federal, esses parques possuem grande riqueza de flora e fauna, além de paisagens de beleza indescritível.

1-Parque Nacional da Amazônia

Criado em 19 de fevereiro de 1974, pelo Decreto Federal nº 73.683, o Parque Nacional da Amazônia encontra-se localizado à margem esquerda do rio Tapajós, no município de Itaituba, estado do Pará, e em pequena parte do município de Maués, estado do Amazonas. Sua área ocupa 994 mil hectares e é banhada pelo rio Tapajós, onde deságuam diversos pequenos rios e igarapés, formando corredeiras, afloramentos rochosos e bancos de areia.
O clima da região é tropical, quente e úmido, com período seco de dois meses e meio de duração por ano, entre julho e outubro, época mais propícia ao turismo na região. A temperatura média anual varia entre 24º e 26º C, com a máxima atingindo 38º a 40º C e a mínima registrando 12º a 16º C. A precipitação anual na área é de 2.000 a 2.500 mm.
O Parque Nacional da Amazônia situa-se em zona de transição entre antigos terrenos consolidados e terrenos de formação mais recente. Em seus limites encontram-se tipos diferentes de florestas, entre as quais a floresta densa de áreas sedimentares; a floresta úmida submontana; a floresta de cipós; a floresta de cocal; a floresta de várzea; e a floresta de igapó. Seu relevo é levemente ondulado e a maior parte de sua área encontra-se em terrenos cobertos por floresta tropical úmida, de terra firme, que apresenta aspectos naturais e arqueológicos de relevante interesse, além da marcante beleza cênica. Apesar da pobreza dos solos, sua vegetação é rica e variada, devido ao clima úmido e à boa distribuição pluviométrica. As árvores mais altas atingem 50 metros de altura, chegando espécies da castanheira-do-pará e do angelim-pedra a alcançar 60 metros. Embora a vegetação tenha uma aparência homogênea, é grande a diversidade vegetal, podendo ser encontradas até 40 espécies arbóreas diferentes por hectare. Devido à baixa luminosidade, é grande o número de trepadeiras, musgos, líquens, orquídeas e samambaias nos estratos inferiores da floresta. Entre as espécies mais comuns encontradas no parque encontram-se as seringueiras (Hevea brasiliensis e Hevea benthamiana), a castanha-do-pará (Bertholletia excelsa), o angelim-rajado (Pithecolobium racemosum), o freijó (Cordia goeldiana), o acapu (Vouacapona americana), a maçaranduba (Manilkara spp) e o jacarandá (Dalbergia spruceana). Ao longo dos rios e ilhas podem ser observadas as florestas aluviais, divididas em várzeas e igapós, onde existe grande número de palmeiras açaí (Euterpe oleracea) e buritis (Mauritia flexuosa).
A fauna de mamíferos do parque é também muito variada, contendo várias espécies ameaçadas de extinção como o tamanduá-bandeira (Mymercophaga tridactyla), o tatu-canastra (Priodontes giganteus), o cachorro-do-mato-vinagre (Speothos venaticus), o cachorro-do-mato-orelha-curta (Atelocynus microtis), a ariranha (Pteronura brasiliensis), o peixe-boi-da-amazônia (Trichechus inunguis), a lontra (Lontra sp) e duas espécies de botos (Inia geoffrensis e Sotalia fluviatilis). O mesmo sucede em relação às 250 espécies de aves da região, muitas das quais se encontram ameaçadas de extinção. Entre as mais importantes destacam-se a garça-real (Pilherodius pileatus), o maguari (Ardea cocoi), o colhereiro (Ajaia ajaia), o urubu-rei (Sarcoramphus papa), a águia-real (Harpia harpyja) e várias espécies de periquitos e papagaios. O parque abriga também grande número de espécies de répteis, entre os quais se destacam três tipos de tartarugas, sendo a tartaruga-do-amazonas (Podocnemis expansa) a mais comum delas. Pode-se também encontrar o jacaré-tinga (Caiman crocodilus), o jacaré-açu (Melanosuchus niger), as cobras surucucu (Lachesis muta) e jibóia-verde (Corallus caninus). O peixe de maior porte que habita os rios da região é o pirarucu (Arapaima gigas), mas também são encontrados com facilidade os tucunarés (Cichla ocelaris e Cichla temensis) e tambaquis (Colossoma spp).
A infra-estrutura do Parque Nacional da Amazônia limita-se a apenas um alojamento para 25 pessoas, localizado a 370 km da cidade de Santarém no estado do Pará. A melhor época do ano para visitação é entre os meses de julho e outubro, quando os dias são de sol e a temperatura é agradável.

2-Parque Nacional do Pico da Neblina

Com área de 2.200.000 hectares, situado no município de São Gabriel da Cachoeira, estado do Amazonas, na fronteira do Brasil com a Venezuela, o Parque Nacional do Pico da Neblina foi criado em 5 de junho de 1979, pelo Decreto Federal nº 83.550. Apresentando paisagem diversificada e de rara beleza, é o segundo maior parque brasileiro e forma com o Parque Nacional Serrania la Neblina, de 1.360.000 hectares, na Venezuela, um dos maiores complexos biótipos protegidos do planeta.
O relevo do parque divide-se em três unidades: planalto sedimentar Roraima, planalto Amazonas-Orenoco e pediplano Rio Branco-Rio Negro. No primeiro, do tipo tabular esculpido em rochas, as altitudes variam de 1.200 a 3.014 metros. Nessa parte encontra-se o pico da Neblina, ponto culminante do Brasil, com 3.014 metros de altitude, e também o segundo ponto mais alto do País, o pico 31 de Março, com 2.992 metros de altura. Situado entre as bacias dos rios Orenoco e Amazonas, o planalto Amazonas-Orenoco é uma extensa área montanhosa que inclui as serras do Padre, Marié-Mirim e Imeri. Possui dois patamares distintos, com altitudes que vão de 600 a 2.000 metros. O pediplano Rio-Branco-Rio Negro é uma extensa superfície de aplainamento, com origem em rochas pré-cambrianas do complexo guianense. Situa-se no nível mais baixo da área, com altitudes variando de 80 a 160 metros.
O clima nessa região é o tropical do Brasil Central, ou seja, quente e úmido. É considerada a área contínua com maior volume de precipitação pluviométrica do Brasil, não existindo estação seca. Os meses de maior precipitação são agosto, setembro, outubro e novembro. A temperatura média anual é de 24 a 26º C, com máxima atingindo 38 a 40º C e mínima ficando entre 12 e 16º C. A nebulosidade é acentuada durante todo o ano, sendo mais intensa nos meses de abril e maio.
A flora do parque é de grande interesse ecológico, caracterizando-se pela presença de grande variedade de formações, que incluem a campinara ou caatinga do Rio Negro, cujas espécies mais representativas são o caranã (Mauritia carana), o tamaquaré (Caraipa grandiflora), o pau-amarelo (Lissocarpa benthami) e a casca-doce (Pradosia rigidifolia). Na floresta densa de montanha, em altitudes acima de 1.000 metros, podem ser encontrados exemplares de itaúba (Mezilaurus itauba), mandioqueira-azul (Qualea cyanea), bacabinhas-quina (Ferdinandusa paraensis), quaruba-cedro (Vochysia inundata) e jutaí-pororoca (Dialium guianensis). Entre 600 e 1.000 metros, na floresta densa submontana, ocorrem com freqüência o iacano (Eperua leucantha), o cacuco-roxo (Licania heteromorpha) e o japurá (Erisma japura).
A fauna encontrada no parque do pico da Neblina é uma das mais ricas do país, com várias espécies ameaçadas de extinção. O primata uacari-preto (Cacajao melanocephalus) é ainda encontrado em grande quantidade na região, embora suas áreas nativas estejam sendo reduzidas em outros locais do país. O mesmo acontece com o galo-da-campina (Rupicola rupicola), pequena ave alaranjada que habita as florestas. Outras espécies encontradas no parque incluem o cachorro-do-mato (Speothos venaticus), a onça pintada (Panthera onca), o gavião-pega-macaco (Spizaetus tyrannys), o gavião-de-penacho (Spizaetus ornatus), a anta (Tapirus terrestris), o macaco-zog-zog (Callicebus spp), o tucano-açu (Ramphastos toco), o mutumporanga (Crax alector) e o jacamim-de-costas-cinzentas (Psophia crepitans).
Atualmente, o acesso ao parque é possível apenas por via fluvial ou aérea, não havendo infra-estrutura adequada para visitação, o que deverá ocorrer em futuro próximo.

3-Parque Nacional do Jaú

Situado no planalto rebaixado da Amazônia Ocidental, no norte do estado do Amazonas, é o maior parque nacional do Brasil e o segundo da América Latina, suplantado apenas pelo Parque Nacional Canaima, na Venezuela. Sua área atinge 2.272.000 hectares e o perímetro é de 1.250 km. Criado em 24 de setembro de 1980, é de extrema importância ecológica tanto pelo seu elevado endemismo como pela riqueza de sua flora e fauna silvestres.
Parte da área do Parque Nacional do Jaú é composta por terrenos de várzea, caracterizando-se como planície pluvial. A terra firme apresenta-se com duas formas distintas: (1) largos topos aplainados separados por vales rasos, que ocupam maior extensão, e (2) colinas pequenas em um plano mais elevado. Ao longo de sua porção central encontram-se pequenas áreas de acumulação inundáveis, que são aplainadas com cobertura arenosa. Em toda a área predomina a floresta aberta, ora caracterizada como floresta aberta aluvial com palmeiras, especialmente nas várzeas dos rios Jaú e Carabinani, ora a floresta densa aluvial com cobertura uniforme. Ao longo das planícies aluviais dos rios Carabinani e Jaú, periodicamente inundadas, encontram-se grandes agrupamentos de palmeiras, como as paxiúbas (Iriartea spp), o açaí (Euterpe oleraceae) e as jauaris (Astrocaryon spp). Nas áreas aluviais mais antigas, raramente atingidas por inundações, também predominam as palmeiras como o buriti e caranãs (Mauritia spp). Várias outras espécies de árvores são também encontradas na região do parque, entre elas algumas de alto valor comercial, como a castanheira (Bertholletia excelsa) e a sucupira (Bowdichia virgilioides).
Entre a fauna local destacam-se os peixes acará, o pirarucu, a traíra, o tucunaré, o tambaqui, a piraíba, o pacu, a piracatinga, a pirarara, a piranha, entre outros. Os répteis mais importantes encontrados na região incluem o jabuti, o jacaré-açu, o jacaretinga, a sucuri e a tartaruga. Entre as aves destacam-se as araras, as garças, o jacu, o inhambu, os papagaios, os bacuraus, e entre os mamíferos são freqüentes as antas, as ariranhas, os botos, o caititu, as capivaras, as cotias, os guaribas-vermelhos, os macacos de vários tipos, onças pardas e pintadas, pacas, peixes-boi, preguiças, tatus e veados, entre outros.

4-Parque Nacional do Cabo Orange

Localizado no estado do Amapá, ocupa área de 619.000hectares onde predominam floresta densa de terra firme, mangue e uma faixa de 150 km de extensão que adentra o mar por 10 km. Foi criado em 1980 e abrange grande parte da planície flúvio-marinha Macapá-Oiapoque, na faixa de terrenos quaternários constituídos de sedimentos arenosos, siltosos, argilosos e de vasas. Sua área apresenta características predominantemente marinhas, com extensa planície formada por depósitos fluviais e marinhos, mangues, sendo recoberta por campos e floresta densa em contato com terrenos do Terciário e mangues. Caracteriza-se também pela formação de restingas, sendo sujeita a inundações periódicas.
A cobertura vegetal da área do Parque Nacional do Cabo Orange apresenta faixas de floresta tropical densa de planície aluvial, manchas de campo limpo, manguezal. Nos locais mais baixos e mais alagados, a vegetação tem maior porte. Nas partes mais altas dos campos inundáveis predominam as gramíneas. Nas partes inundáveis situadas mais a oeste encontram-se vegetação de cerrado ao lado de estreitas faixas de mata de galeria e veredas de buritis. As faixas de floresta tropical densa de planície aluvial são normalmente ricas em palmeiras como o açaí e repletas de árvores providas de sapopemas. É área de difícil acesso, devido à água e ao emaranhado de raízes.
Sua fauna é bastante rica e diversificada em virtude da variedade de hábitats. Destacam-se as tartarugas marinhas e as aves, especialmente o guará e o flamingo, hoje ameaçados de extinção. Encontram-se ainda no parque outras espécies de aves como marrecos, patos, garças e psitacídeos. Entre os mamíferos, detacam-se o peixe-boi marinho e de água doce, ambos também ameaçados de extinção. Habitam o parque ainda o guaxinim, a lontra, a onça, o guariba, o macaco-cheiro, a capivara, a ariranha, a anta, o tamanduá-bandeira, o tatu-canastra, a suçuarana e o veado-campeiro, entre outros.
A temperatura média anual é de 25º C, sendo os meses de setembro a dezembro os mais quentes e de junho a agosto os mais frios. A precipitação anual é superior a 3.250 mm, sendo os meses de março a maio os mais chuvosos. A umidade relativa é superior a 80%.
A área é de difícil acesso, podendo ser alcançada pelo litoral ou pelo rio Cassiporé.

5-Parque Nacional de Pacaás Novos

Criado no dia 21 de setembro de 1979, pelo Decreto Federal nº 84.019, possui área de 765.801 hectares em terreno de relevo montanhoso, com topo aplainado e bordas repletas de escarpas. É o único parque nacional situado no estado de Rondônia e nele se encontra fauna tropical variada, além de espécies vegetais de grande interesse científico.
O clima na região é tropical, quente e úmido. A estação chuvosa vai de novembro a março e o inverno corresponde à estação durante os meses de junho, julho e agosto. A temperatura média anual varia de 24º a 26º C, com máximas atingindo de 36º a 38º C e mínimas variando entre 0º e 4º C. O índice pluviométrico anual situa-se entre 2.000 e 2.250 mm e a umidade relativa corresponde a cerca de 80%. Durante o inverno a área é freqëntemente invadida por anticiclones de origem polar, que podem provocar o fenômeno conhecido como "friagem".
A área do parque abrange duas formações diferenciadas de relevo, que incluem as serras mais importantes encontradas dentro de seus limites - a serra dos Pacaás Novos e a serra dos Uopianes. Apresenta uma região de superfície plana com alguns patamares mais elevados formando tabuleiros, e outra mais dissecada, com relevo que varia do plano ao montanhoso.
Na vegetação do parque encontram-se exemplos de floresta tropical densa, floresta tropical aberta, campos graminosos (savana graminosa) encontrados no alto da serra dos Pacaás Novos e tipos diferenciados de cerrado. A região de floresta tropical densa - floresta amazônica - caracteriza-se pelo grande número de árvores encontradas por hectare. Destacam-se entre elas o patauá (Oecarpus batava), a seringueira (Hevea brasiliensis) e o ipê-amarelo (Tabebuia seratifolia). Na floresta amazônica aberta encontram-se a castanheira (Bertholletia excelsa), o babaçu (Orbygania martiana) e o amarelão (Apuleia moralis). Nos locais onde se verifica o contato entre a savana e a floresta as espécies mais representativas são a mandioqueira-do-campo (Qualea refusa), a faveira (Voltairea sp) e a lixeira (Salvertia sp). Nas áreas de cerrado encontram-se arbustos como a quaruba-do-campo (Vochysya spp), a periquiteira (Laerthia procera), a sucupira-do-campo (Bowdichia sp) e o ipê (Tabebuia sp), além de samambaias (Pteridium sp) encontradas nos campos graminosos.
A fauna do parque ainda conserva belos exemplares de aves silvestres, como papagaios, tucanos, araçaris e diversas variedades de araras, entre as quais a arara-azul (Anadorhynchus hyacinthinus), hoje ameaçada de extinção. Entre os mamíferos destacam-se a onça-pintada (Pantera onca), o macaco-da-noite (Aotus trivirgatus), o bugio (Alouatta sp), o tatu-canastra (Priodontes giganteus), o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) e o cachorro-do-mato-de-orelhas-curtas (Atelacynus microtis).
A navegação fluvial desempenha papel importante no transporte da região. A rede hidroviária do parque pertence à bacia do rio Madeira, que é um rio navegável desde a sua foz até a cidade de Porto Velho, capital do estado de Rondônia. Dentro dos limites do parque nascem vários tributários da bacia do rio Madeira. O relevo montanhoso da região propicia a formação de corredeiras e cachoeiras em diversos rios como o Ji-Paraná, o Guaporé e o Mamoré, contribuindo para a beleza da paisagem.
Dentro dos limites do Parque Nacional de Pacaás Novos vivem as tribos indígenas uru-eu-wau-wau e uru-pa-in, que preservam importante patrimônio cultural. Embora o acesso ao local somente seja possível por barco, o parque dispõe de alojamento e infra-estrutura para estudiosos e pesquisadores.

6-Parque Nacional da Serra do Divisor

Localizado no estado do Acre, o Parque Nacional da Serra do Divisor foi criado em 16 de julho de 1989, pelo Decreto Federal nº 97.839. Sua área abrange 605 mil hectares em relevo suavemente ondulado e montanhoso em certos trechos. O clima é tropical, quente úmido, com um a dois meses secos por ano, durante o inverno, período que se estende de junho a agosto. A temperatura média anual é de 24º C, com máximas atingindo 36º a 38º C e mínimas chegando a 4º e 8º C. O índice de precipitação anual situa-se entre 1.750 e 2.000 mm.
O parque é banhado pelo rio Juruá, afluente do rio Amazonas, que representa importante via de transporte na região. Seu relevo apresenta quatro blocos distintos - serra da Jaquirana, serra do Moa, serra do Joá-Mirim e serra do Rio Branco - originários de processos erosivos, que resultaram em um planalto e uma extensa área de depressão. Delimitada pelos rios Acre e Javari, essa área de depressão no interior do parque apresenta altitudes que não ultrapassam 300 metros.
A vegetação predominante no parque é aquela característica dos baixos platôs da Amazônia, chamados de "área de transição" e cobertos, em sua maior parte, pelas espécies encontradas na floresta amazônica aberta - palmeiras, cipós e bambus - podendo-se mesmo dividi-la em aberta de cipó e aberta de palmeira. Entre as palmeiras destacam-se a paxiúba-lisa (Iriartea exorrhiza), a patauá (Oenocarpus bataua) e o açaí (Euterpe precatoria). Entre os cipós encontram-se o cipó-cruz (Chicocca brachiata), o timboaçu (Derris guyanensis), o mucunã (Dioclea sp) e o escada-de-jabuti (Bauhinia sp).
Ainda não foi concluído o levantamento da flora e da fauna do Parque Nacional da Serra do Divisor e a área também não conta ainda com facilidades de transporte e acomodação para visitantes.

7-Parque Nacional do Monte Roraima

Criado em 28 de junho de 1989, pelo Decreto Federal nº 97.887, o Parque Nacional do Monte Roraima ocupa área de 116 mil hectares e perímetro de 400 km no estado de Roraima. O clima em sua região é tropical, quente úmido, com três meses secos por ano, durante o período de inverno (junho a agosto). A temperatura média anual varia de 24 a 26º C, com máxima alcançando 38º C e mínima oscilando entre 12º e 16º C. O índice pluviométrico anual situa-se entre 1.500 e 1.750 mm.
O monte Roraima, um dos pontos culminantes do Brasil, com 2.875 metros de altitude, forma uma grande mesa, contornada por escarpas abruptas e, em certas partes, sem vegetação. Pertence ao maciço de Paracaima, que se estende desde a Venezuela e a Guiana, com pequena área em território brasileiro. Em suas proximidades encontra-se também a serra do Sol, com 2.400 metros de altitude.
O parque é cortado por diversos rios e igarapés, entre os quais o Cotingo. Sua vegetação apresenta dois tipos distintos que incluem (1) a floresta amazônica densa montana e (2) refúgios ecológicos. A primeira é encontrada em altitudes acima de 1.000 metros e entre suas espécies destacam-se a Pouteria surinamensis, a Ocotea roraimae, o Didymopanax sp e a Jacaratia sp. Nas altitudes entre 600 e 1.500 essas mesmas espécies aparecem com porte menor e distribuição mais agrupada, como é o caso da quaruba (Vochyciaceae). Na parte mais alta, em torno de 2.500 metros, são encontrados os refúgios ecológicos. Nessa região, as plantas se entrelaçam, formando um emaranhado denso e de difícil penetração. As espécies mais comuns nessa área são as plantas pertencentes às famílias das Orquidaceae, Melastomataceae, Compositae e Rubiaceae.
O levantamento da fauna do parque ainda não está concluído, devido à sua criação relativamente recente. Pelo mesmo motivo, a área não dispõe ainda de infra-estrutura de hospedagem ou facilidades para o transporte de visitantes.
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01 - Dados extraídos das publicações: Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e do Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), Parques Nacionais do Brasil, 1997 e Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF), Parques Nacionais e Reservas Biológicas do Brasil, 1983

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