Gandhi disse:

" Há o suficiente no mundo para todas as necessidades humanas. Não há o suficiente para a cobiça humana" - Gandhi

domingo, 18 de abril de 2010

Parques Nacionais da Região Nordeste

Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses

Localizado no litoral do estado do Maranhão, com área de 155.000 hectares e perímetro de 270 km, caracteriza-se pelas imensas dunas brancas entremeadas de lagos de coloração variada formados por pequenos rios que ali morrem e banhadas pelo mar, com vegetação de restinga e mangue junto aos rios ou perto da costa. Foi criado em 2 de junho de 1981, pelo Decreto Federal nº 86.060 e sua área é drenada pelos rios Preguiças, da Fome, Novo, Negro, Piriá e outros menores, pertencentes à bacia do Nordeste, sob a influência do rio do Golfão Maranhense. O clima na região do parque é tropical, de zona equatorial, quente semi-úmido, com quatro a cinco meses secos por ano. A estação chuvosa inicia-se em dezembro, prolongando-se até maio. A temperatura média anual é de 26º C, com máxima atingindo 36º C e mínima não ultrapassando 16º C. O índice de precipitação anual varia de 1.500 a 1.750 mm.
O trecho situado no litoral apresenta quatro feições morfológicas distintas: costa recortada; costa baixa com manguezais penetrando pelos vales afogados; costa baixa com manguezais e numerosos canais, furos, lagoas, cordões litorâneos e ilhas; e faixa costeira baixa, coberta de dunas. As dunas avançam em direção ao continente, penetrando-o até uma distância de 50 km da costa. A área dos lençóis propriamente dita possui extensão aproximada de 150 km de comprimento por 10 km de largura, pouco coberta por vegetação e com alto teor de sais. Existe um tipo de drenagem que se orienta no sentido nordeste-sudoeste, formando cordões litorâneos - um tipo de costa com influências estruturais longitudinais, nada comuns no Brasil. O solo do parque é formado por depósitos aluvionares recentes, de cascalhos, areias e argilas.

Na parte noroeste, onde estão os manguezais, a vegetação é formada pelo mangue-vermelho (Rhizophora mangle), que pode alcançar até 12 metros de altura, pelo mangue-branco (Laguncularia racemosa) e mangues-siriuba (Avicenia tomentosa, Avicenua nitida). Nas praias e dunas predominam as espécies do campim-da-areia (Panicum racemosum), o alecrim-da-praia (Remiria maritima), o carrapicho-da-praia ou espinho-de-roseta (Acicarpha spathulata) e a pimenteira (Cordia curassavica). Nas restingas as espécies estão sujeitas às marés, mas sob a influência do solo arenoso, e incluem o cipó-de-leite (Oxypetalum sp), a orquídea-da-restinga (Epidendrum ellipticum), a erva-de-cascavel (Crotallaria striata), o sumaré-da-areia (Cyrtopodium sp), o araticum (Annona coriacea), a janaúba (Plumieria sp), a cebola-da-restinga (Clusia lanceolata) e a mangabeira (Hancornia speciosa).
As praias do parque são procuradas por tartarugas-marinhas na época de postura. Entre as principais espécies destacam-se a tartaruga-verde (Chelonia mydas), a tartaruga-comum (Lepiduchelys olivacea), a tartaruga-de-pente (Eritmochelys imbricata) e a tartaruga-de-couro (Dermochelys couriacea).
Entre as aves migratórias que utilizam a região como ponto de apoio em suas viagens encontram-se o trinca-réis-boreal (Sterna hirundo) e o maçarico-rasteirinho (Calidris pusilla), procedente do Ártico. De fevereiro a abril visitam o parque as marrecas-de-asa-azul (Anas discors), oriundas dos Estados Unidos.
Além de várias espécies de peixes, crustáceos e moluscos podem-se observar nos mangues as jacaretingas (Caiman crocodilus), que se alimentam de peixes. Entre os mamíferos destacam-se o veado-mateiro (Mazama americana) e a paca (Agouti paca).
O acesso ao parque, que não conta ainda com infra-estrutura de hospedagem e locomoção de visitantes, é possível através da rodovia que liga Teresina a São Luís, mediante autorização do Ibama.

Parque Nacional de Sete Cidades

Situado na parte nordeste do estado do Piauí, abrangendo os municípios de Piracuruca e Piripiri, o Parque Nacional de Sete Cidades foi criado em 5 de junho de 1961, pelo Decreto Federal nº 50.744, com o objetivo de manter protegidos os aspectos geológicos e geomorfológicos da região. O clima é tropical de zona equatorial, quente semi-árido, com seis meses secos por ano. A temperatura média anual varia de 24º a 26º C, com máxima de 38º a 40º C e mínima de 12º a 16º C. A precipitação média situa-se entre 1.000 e 1.250 mm anuais.
Com área de 6.221 hectares e perímetro de 40 km, seu relevo é de bacias sedimentares, em altitudes que variam de 100 a 300 metros, com chapadas planas e declives formando escarpas abruptas que se dispõem em seqüência. Existem inscrições indígenas muito antigas em seus monumentos arqueológicos, envolvendo lendas e especulações para explicar a sua existência. Para os cientistas, a área reflete um fenômeno geológico, que remonta a 190 milhões de anos. A partir da entrada do parque, podem ser avistadas as pedras conhecidas como Elefante, Tartaruga, Camelo, Soldado Romano, Polegar de Deus, além de outras menos conhecidas. Essas pedras, que formam o conjunto de sete cidades, deu origem ao nome do local. Inscrições rupestres também podem ser encontradas em algumas rochas, como a chamada pedra da Ponte. Essas características geológicas dão origem à formação de olhos d’água que alimentam o surgimento de alguns rios da região.
A vegetação da área é típica de transição entre o cerrado e a caatinga, destacando-se espécies como a lixeira (Curatella americana), o bacuri (Platonia insignis), o murici (Byrsonima crassifolia), o pau-terra (Qualea grandiflora) e a macambira (Bromelia laciniosa). Nos campos alagados pode também ser encontrada a espécie insetívora Drosera sinsifolia, além de gramíneas (Aristida e Eragrostis sp). Encontram-se ainda nos limites do parque, exemplares de buriti (Mauritia flexuosa), carnaúba (Copernicia cerifera) e tucum (Astrocaryum sp).
Entre as espécies da fauna local existem os representantes da região de cerrado e da caatinga. Entre os animais típicos da caatinga encontram-se os veados-mateiros (Mazama americana) e o roedor mocó (Kerodon rupestris). Há ainda a iguana (Iguana iguana), a suçuarana (Puma concolor), o cachorro-do-mato (Dusicyon thous), a raposa (Lycalopex vetulos), a paca (Agouti paca) e gatos-do-mato (Leopardus spp).
Entre as aves ali existentes, chamam a atenção por sua beleza, o corrupião (Icterus icterus), o xexéu (Cacicus ceva) e o falcão tropical (Falco deiroleucos). Existem também os papagaios-verdadeiros (Amazona aestiva) que promovem grande algazarra ao amanhecer. Nas matas densas vivem o inhambu-chitão (Chypturellus tataupa), o jacu (Penelope superciliaris) e o tucano (Ramphostos sp).
O parque é entrecortado por trilhas sinalizadas e de fácil locomoção para os visitantes. Dispõe de alojamento, guias e um hotel próximo à sua entrada. Com acesso por estrada inteiramente asfaltada, encontra-se a 160 km da cidade de Teresina, capital do estado do Piauí.

Parque Nacional de Ubajara

É o menor dos parques nacionais do país, com área de 563 hectares e perímetro de 90 km. Foi criado em 30 de abril de 1959, pelo Decreto Federal nº 45.954. Sua maior atração encontra-se nas grutas existentes no local, entre as quais se destaca a Gruta do Ubajara, que deu nome ao parque, situada na Serra de Ibiapaba, região noroeste do estado do Ceará. O relevo da região é recortado, com exposições de calcário e encostas abruptas onde se verificam quedas d’água.
O clima na região é tropical equatorial, quente semi-árido, com sete a oito meses secos por ano. A Serra de Ibiapaba, porém, apresenta clima ameno e fartura de água, o que atrai muitos turistas, principalmente no período de seca. A temperatura média anual varia entre 24º e 26º C, com máxima de 34º a 36º C e mínima de 12º a 16º C. O índice de precipitação anual não ultrapassa 750 a 1.000mm.
Dois ecossistemas compõem a vegetação do parque: a floresta estacional subcaducifólia e a caatinga. Existe ainda uma área de transição entre os dois tipos de vegetação predominantes. Na floresta encontram-se o jitó (Guarua tubuculata), o babaçu (Orbignya martiana), o cedro (Cedrella fissilis) e o pau-d’arco-amarelinho (Tabebuia sp). Na zona de transição predominam as espécies da caatinga, mas com porte mais alto e troncos mais retos. Nas encostas mais úmidas desse trecho, ocorrem espécies da floresta estacional subcaducifólia, como o sabiá (Mimosa caesalpinicufolia), a barriguda (Ceiba pubiflora), o pitiá (Aspidosperma ulei) e a ingazeira (Inga ingoides). Na região de caatinga encontram-se as espécies típicas de cerrado como o angico (Anadenanthera macrocarpa), a jurema-preta (Mimosa acutistipula), a jurema-branca (Piptadenia aculeata), o joazeiro (Zizyphus joazeiro), o marmeleiro (Cobretum sp), os jatobás (Hymenaea spp) e paus-terra (Qualea spp), além de espécies de menor porte como o caroá (Neoglaziovia variegata).
A fauna da área não é muito diversificada. Podem ser encontradas espécies como o sagüi-estrela-de-pincéis-brancos (Callithrix jacchus), o mocó (Kerodon rupestres), os gambás (Didelphis spp) e vários tipos de morcegos. Entre as aves destacam-se o cará-cará (Polyborus plancus), o gavião-caboclo (Heterospizias meridionalis), o acauã (Herpetotheres cachinnans), o quiri-quiri (Falco sparverius) e o urubu-rei (Sarcoramphus papa). Entre os répteis encontram-se a iguana (Iguana iguana), o teiú (Tupinambis teguixim) e a cobra coral verdadeira (Micrurus corallinus), além de anfíbios como o sapo-cururu (Bufo sp).
A Gruta do Ubajara, com acesso por teleférico, possui nove salas e 400 metros de trilhas iluminadas. Outros passeios a pé também são possíveis nos limites do parque, havendo hospedagens simples nas cidades localizadas em suas imediações. O melhor período de visitação é entre os meses de julho e dezembro.
Parque Nacional da Serra da Capivara - Situado no estado do Piauí, o Parque Nacional da Serra da Capivara foi criado em 5 de junho de 1979, pelo Decreto Federal nº 83.548 e ocupa área de 97.933 hectares, com 300 km de diâmetro, nos municípios de São Raimundo Nonato, São João do Piauí, Coronel José Dias e Canto do Buriti. Trata-se da região com a maior concentração de sítios arqueológicos atualmente conhecida nas Américas, a maioria com pinturas e gravuras rupestres. Encontram-se nesses sítios vestígios da presença do homem, que datam de 50 mil a 60 mil anos atrás.
O clima na região é tropical, de zona equatorial, quente semi-árido, com seis meses secos durante o ano. A temperatura média anual varia de 24º a 26º C, com máxima chegando a 40º e 42º C e mínima ficando entre 8º a 12º C. O índice de precipitação anual varia de 500 a 750 mm. As chuvas, embora não muito freqüentes, ocorrem no período de novembro a março e o calor é mais intenso de setembro a novembro.
O relevo do parque é tabular, suavemente ondulado no topo da chapada, com escarpas abruptas, na base das quais, junto às lagoas, viveram animais pré-históricos. As altitudes variam entre 500 e 600 metros.
É o único parque situado inteiramente dentro do ecossistema da caatinga. Sua vegetação predominante inclui a aroeira (Astronium urundeuva) e a braúna (Schnopsis brasiliensis) nos estratos mais altos, e a jurema-preta (Mimosa acutistipula) e o facheiro (Leocereus squamosus) nos estratos mais baixos.
A fauna do parque inclui aves como as siriemas (Cariama cristata), o gavião-carrapateiro (Milgavo chimachima), o acauã (Herpetotheres cachinnans) e corujas. Entre os répteis destacam-se as cobras jararaca (Bothrops spp) e cascavel (Crotalus durissus). Habitam também a região o gato-do-mato (Leopardus triginus), a jaguatirica (Leopardus pardalis), o tatu (Dasypus sp), a paca (Agouti paca) e a cutia (Dasyprocta sp). É encontrado também na região um pequeno roedor, chamado mocó (Keredon rupestris), que vive nas rochas e se alimenta de brotos de vegetais.
A infra-estrutura do parque é excelente, incluindo visitação autoguiada pelas trilhas que levam às incrições rupestres. Nele encontra-se também a sede da Fundação Museu do Homem Americano, apoiada pelo governo francês. O parque está localizado a 300 km da cidade de Petrolina, no estado de Pernambuco, por onde se pode ter o melhor acesso à sua área. Existe também um campo de pouso habilitado a receber pequenos aviões, situado na cidade de São Raimundo Nonato, bem próxima ao parque.

Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha

Situado no mar territorial brasileiro, a 345 km de distância da costa do estado do Rio Grande do Norte, o arquipélago de Fernando de Noronha é formado por seis ilhas maiores - Fernando de Noronha, Rata, Maio, Lucena, Sela Gineta e Rasa - e 14 rochedos praticamente inacessíveis. As ilhas originam-se de processos vulcânicos relativamente modernos, que constituem picos da dorsal mediana do Atlântico, uma cadeia de montanhas submersas, que divide ao meio o oceano Atlântico e se estende da Antártida até o Ártico em mais de 15 mil km. Fernando de Noronha, a maior de todas as ilhas, é a única habitada. Nela não existem cursos d’água perenes, mas apenas riachos, que secam na época da estiagem.
O clima no arquipélago é tropical e quente. A temperatura média anual é de 26º C, com máxima chegando a 32º C e mínima de 28º C. O índice pluviométrico é de 1.250 a 1.500 mm anuais. O período mais seco vai de agosto a janeiro.
O parque tem área de 11.270 hectares, com 60 km de perímetro, e foi criado pelo Decreto Federal nº 96.693, em 14 de setembro de 1988. Na vegetação que cobre a sua superfície destacam-se os cactus e arbustos de espinhos. O solo é pedregoso e pouco profundo. Devido às longas estiagens a vegetação se torna rarefeita, mas quando chove a ilha fica coberta de grama espessa nas pequenas planuras.
Os principais atrativos do parque encontram-se no mar, onde existe um verdadeiro paraíso submarino, com recifes de corais onde lagostas encontram proteção para desovar. São abundantes também os crustáceos e os cardumes de golfinhos (Stenella longirostris), os tubarões e outros peixes de grande porte que convivem harmoniosamente com cardumes de peixinhos coloridos, como os cocorocas (Hemulon plumieri), os sargentinhos (Felichthys bagre) e os frades-reais (Holocanthus ciliares). As tartarugas-marinhas desovam nas praias de Fernando de Noronha no período de janeiro a maio e os golfinhos podem ser vistos por quase todo o tempo nas redondezas, acasalando, criando seus filhotes e executando seu balé aquático.
Entre as aves destacam-se a viuvinha-branca (Gysgys alba), a viuvinha-preta (Anous stolidus), a fragata (Fregata magnificens) e o rabo-de-junco (Phaethon lepturus). O sebito (Vireo gracilirostris) habita as partes arborizadas da ilha e o espetáculo do seu vôo pode ser observado apenas em Fernando de Noronha.
O acesso às ilhas do parque só é possível por via aérea, a partir de Recife, capital do estado de Pernambuco; de João Pessoa, capital do estado da Paraíba; e de Natal, capital do Eetado do Rio Grande do Norte. Barcos pesqueiros podem também ser alugados nessas cidades, para uma viagem que dura de 12 a 36 horas, dependendo das condições do mar. Existem ainda hospedagens simples na ilha, onde turistas podem pernoitar.

Parque Nacional Marinho de Abrolhos

Situado a 70 km da costa, no litoral sul do estado da Bahia, na altura dos municípios de Alcobaça e Caravelas, o arquipélago de Abrolhos foi o primeiro parque nacional marinho a ser constituído no Brasil. Sua criação data de 6 de abril de 1983, formalizada pelo Decreto Federal nº 88.218.Com área de 91.300 hectares e 157 km de perímetro, compõe-se de cinco formações rochosas que incluem as ilhas de Santa Bárbara, Siriba, Redonda, Sueste e Guarita, formadas há 50 milhões de anos. Dispostas em arco, as ilhas apresentam relevo acidentado e são, provavelmente, restos da borda de uma cratera vulcânica extinta, que abrigam um dos maiores, mais raros e exuberantes recifes de coral do Atlântico sul. A composição desses corais impressiona por sua forma excêntrica e variedade de cores, destacando-se entre eles o coral-cérebro (Mussimilia brasiliensis).
O clima no arquipélago é tropical, quente e úmido, com temperatura média anual oscilando entre 22º a 24º C, atingindo máximas de 36º a 38º C e mínimas de 8º a 12º C. O índice pluviométrico fica em torno de 1.750 e 2.000 mm anuais.
Em virtude da grande quantidade de peixes existentes na região, o arquipélago abriga grande variedade de aves, que o utilizam como ponto de apoio em suas migrações, ou mesmo para procriação. As espécies mais encontradas nos costões abruptos, grutas ou descampados são o benedito (Anous minutus), o atobá-mascarado-de-piloto (Sula dactylatra), o atobá-marrom (Sula leocogaster), a grazina (Phaethon aethereus), a fragata (Fregata magnificens) e o trinta-réis-das-rocas (Sterna fuscata). Na luta pela sobrevivência, essas espécies ocupam espaços diferentes no arquipélago. O benedito, com plumagem cor de fuligem escura e testa branca, esconde os ovos e filhotes nas pequenas grutas da ilha da Guarita. O atobá-mascarado-de-piloto, que tem o corpo coberto de penas brancas e olhos ornados de branco e amarelo, habita a ilha Siriba, enquanto a grazina, inteiramente branca, com exceção do bico, olhos e patas, que são escuros, pode ser encontrada na ilha de Santa Bárbara.
Os lagartos (Tropidurus torquatos) podem ser observados nas horas mais quentes do dia e as tartarugas-marinhas, verde (Chelonia mydas) e cabeçuda (Caretta caretta), dirigem-se às praias do arquipélago para desovar. Entre junho e dezembro aparecem os mamíferos aquáticos para ter seus filhotes, constituindo-se grande atração para os turistas. Entre eles destacam-se as baleias-jubarte (Megaptera novaenghae). Diversas variedades de moluscos e crustáceos são encontrados nas águas próximas.
O parque dispõe de um centro para visitantes, com maior movimento durante o verão. O acesso é possível a partir das cidades de Caravelas e Alcobaça, em viagem com duração de seis horas em traineiras ou escunas, ou em cerca de duas horas, de lancha.
Parque Nacional da Chapada da Diamantina - Criado em 17 de setembro de 1985, pelo Decreto Federal nº 91.655, para proteger os ecossistemas da Serra do Sincorá, na Chapada da Diamantina, o parque tem área de 152 mil hectares e perímetro de 110 km, estando situado no estado da Bahia, nos municípios de Lençóis, Andaraí, Mucujê, Palmeiras e Ibicoara. Seu relevo é montanhoso, com escarpas abruptas e altitudes quase sempre acima de 800 metros, chegando a 1.200 metros nos pontos mais altos da Serra do Sincorá, e baixando até 400 metros nos vales dos rios.
O clima na área do parque é tropical, subquente, semi-árido brando, com seis meses secos por ano. A temperatura média anual é de 22º a 24º C, com máxima de 36º a 38º C e mínima de 4º a 8º C. O índice pluviométrico anual fica entre 700 e 1.000 mm.
O parque é cortado pelos rios da bacia do Paraguaçu, com leitos pedregosos e freqüentes formações de saltos e cachoeiras. A vegetação é classificada como de refúgio ecológico montano, contando com espécies como a unha-de-vaca (Bauhinia sp), o gravatá-de-cacho (Bilbergia porteana), o tucum (Astrocaryum acaule) e diversos tipos de orquídeas.
A fauna do parque apresenta espécies como a capivara (Hydrochaeris hidrochaeris), o coati (Nasua nasua) e a cutia (Dasyprocta sp), além de felinos de maior porte como a onça-pintada (Panthera onca), a suçuarana (Puma concolor) e o veado (Mazama gouzoubira). Destacam-se entre as aves, a arara-pequena (Ara maracana), os periquitos (Brotogeris tirica e Aratinga cactorum) e o curió (Oryzoborus angolensis). As cobras jibóia (Boa constrictor) e sucuri (Eunectres murinus), não-venenosas, estão entre os répteis mais encontrados na região.
No interior do parque existem trilhas que passam por suas principais atrações, como a Cachoeira da Fumaça, com 400 metros de altura. A infra-estrutura de apoio aos visitantes encontra-se na cidade de Lençóis, localizada a 12 km de distância.

Parque Nacional de Monte Pascoal

Criado em 29 de novembro de 1961, pelo Decreto Federal nº 242, encontra-se localizado no município de Porto Seguro, estado da Bahia. Sua área abrange 22.500 hectares, com perímetro de 110 km. O Monte Pascoal, que deu nome ao parque, foi o primeiro ponto continental avistado pelos portugueses quando chegaram à terra brasileira no ano de 1500. Além da importância histórica, a região apresenta grande diversidade de ecossistemas, como a floresta atlântica densa, regiões alagadiças, restinga, mangue e praia. De relevo plano e ondulado, em seus limites encontram-se três fases distintas do ciclo que contribuiu decisivamente para a transição entre os ecossistemas do litoral e da floresta densa dos tabuleiros terciários.
O clima da região é tropical do Brasil Central, quente úmido, com um a dois meses secos por ano. A temperatura média anual é de 22º a 24º C, com máxima de 36º a 38º C e mínima oscilando entre 8º e 12º C. A precipitação anual varia de 1.500 a 1.750 mm por ano.
A vegetação predominante no parque é de mata atlântica densa, com árvores de grande porte como o visgueiro (Parkia pendula), de origem amazônica. Entre as mais famosas encontram-se o pau-brasil (Caesalpinia echinata), a canela-sassafrás (Ocotea pretiosa), o jequitibá (Cariniana estrelensis), o araribás (Centrolobium robustum), o jacarandá-caviúna (Dalbergia nigra) e a maçaranduba (Manilkara elata). Nos trechos mais úmidos há densas concentrações de samambaias (Pteridium aquilinium), encontrando-se também o palmito (Euterpe edulis) e diversas espécies de orquídeas, como a Cattleya schilleriana. Nas partes mais secas do parque podem ser encontradas espécies de piaçava.
Entre os animais mais comuns na região destacam-se o raro ouriço-preto (Chaetomys subspinosus), a preguiça-de-coleira (Bradypus torquatus) e o caxinguelê (Scirurius sp), além da guariba (Alouatta fusca) e da anta (Tapirus terrestris), que vivem nas proximidades dos leitos dos rios. Existem ainda tamanduás (Tamandua tetradactyla), cutias (Dasyprocta sp) e pacas (Agouti paca). Encontram-se também no parque alguns mamíferos hoje ameaçados de extinção, como a onça (Panthera onca) e a suçuarana (Puma concolor). Entre as aves, podem ser encontrados exemplares também ameaçados de extinção, como o gavião-de-penacho (Spizaetus ornatus) e o gavião-pega-macaco (Spizaetus tyrannus), além do mutum (Crax blumenbachii), do curió (Oryzoborus angolensis) e do sabiá-da-mata (Turdus fumigatos).
O parque ainda não dispõe de infra-estrutura para hospedagem de visitantes, mas está localizado a 156 km da cidade de Porto Seguro, estado da Bahia, e a 14 km da BR 101 -rodovia federal que percorre todo o litoral brasileiro - no trecho que liga a cidade de Vitória, capital do estado do Espírito Santo, a Salvador, capital do estado da Bahia.
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01 - Dados extraídos das seguintes publicações:
- Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), Parques Nacionais do Brasil, 1997.
- Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF), Parques Nacionais e Reservas Biológicas do Brasil, 1983

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