Gandhi disse:

" Há o suficiente no mundo para todas as necessidades humanas. Não há o suficiente para a cobiça humana" - Gandhi

domingo, 18 de abril de 2010

Erosão e Poluição dos Solos

O solo é um recurso fundamental para a prática de atividades extremamente importantes para o ser humano, como a agricultura, a construção de cidades, de estradas, a instalação de indústrias e de usinas geradoras de energia, entre outras. Em muitas áreas, esse recurso encontra-se totalmente desgastado.
A própria natureza se encarrega do desgaste dos solos através da ação de seus inúmeros elementos: a água, o vento, a alternância de temperaturas (frio e calor), etc. O homem, no entanto, agrava a situação e pouco ou nada faz para evitá-la.
Os solos podem ser contaminados por substâncias químicas usadas na agricultura (agrotóxicos), por vazamentos de substâncias tóxicas transportadas nas rodovias ou ferrovias e, principalmente, pelo lixo sólido.

Acelerando a erosão dos solos

Entendemos por erosão do solo a perda da ca¬mada superficial da litosfera, rica em matéria orgânica, onde existe vida microbiana e que permite o desenvolvimento da vida vegetal.
Entre as várias situações em que o homem pro¬voca ou agrava a erosão dos solos, podemos destacar:
- os desmatamentos desordenados;
- as queimadas;
- a desertificação;
- a prática da agricultura;
- os deslizamentos provocados por abertura de estradas e construções em geral.

Os desmatamentos

As florestas tropicais e equatoriais guardam em seu interior uma grande parcela da biodiversidade da Terra. Regulam o fluxo de água, protegem os mananciais, oferecem madeira de lei e plantas medi¬cinais. Sem falar que são habitadas por muitos povos indígenas.
Os países mais atingidos pêlos desmatamentos estão localizados na faixa tropical do globo: Brasil, Equador, Colômbia, Guatemala, Haiti, Honduras, Nicarágua, Gana e Nigéria. Além desses, outros países situados na mesma faixa, como Congo, Sri Lanka, Tai¬lândia, Indonésia e Malásia, também são atingidos.
Apesar da sua importância, as florestas tropi¬cais têm sido impiedosamente destruídas por várias atividades humanas, entre elas:
- a utilização dos terrenos para a agricultura;
- a exploração de recursos minerais;
- a extração de madeira;
- a construção de hidrelétricas;
. - as queimadas (incêndios propositais ou não).

Os impactos ambientais decorrentes do desmatamento são muitos:

- extinção e redução da biodiversidade (espécies animais e vegetais);
- extermínio de indígenas;
- erosão e empobrecimento dos solos;
- assoreamento do leito dos rios;
- desertificação;
- aumento de C02 na atmosfera, provocado pelas queimadas;
- rebaixamento do lençol freático - causa da ex¬tinção das nascentes de rios e fontes;
- mudanças climáticas.

A desertificação

O termo desertificação surgiu na França, no fi¬nal da década de 1940. A intenção era caracterizar áreas que estavam ficando desérticas, ou mesmo a expansão dos desertos já existentes.
A ONU define desertificação como "a degra¬dação das terras nas zonas áridas, semi-áridas e sub-úmidas secas, resultante de fatores diversos, como as variações climáticas e as atividades humanas". Essa definição faz parte da Agenda 21 da ECO-92, rea¬lizada no Rio de Janeiro. O mesmo documento determina que, por degradação da terra, se entende:
- a degradação do solo e dos recursos hídricos;
- a degradação da vegetação e da biodiversidade;
-a redução da qualidade de vida.
Durante a ECO-92, foi proposta uma Conven¬ção Internacional sobre Desertíficação e Seca, que conta com a participação do Brasil O assunto já vinha sendo discutido desde 1977 pela comunidade internacional. Nesse ano, a ONU realizou a Primeira Conferência Internacional sobre Desertificação, em Nairóbi, no Quênia. Data também dessa época o Primeiro Pla¬no de Ação Mundial de Luta contra a Desertificação.
Devido ao fracasso desse plano, a Convenção proposta na ECO-92 tinha força de lei internacional, devendo ser obedecida pêlos países signatários. Em 1994, foi assinada em Paris, por 160 países, a Convenção Mundial contra a Desertificação. Instituiu-se, na ocasião, 17 de julho (dia da assinatura da Con¬venção) o Dia Nacional do Combate à Desertificação.
A desertificação ocorre em 100 países do mun¬do, apenas em alguns ecossistemas (clima árido, semi-árido e sub-úmido seco). As terras ocupadas por esses ecossistemas correspondem a mais de 37% da superfície do planeta. Abrigam mais de um sexto da população mundial e países com indicadores sociais semelhantes: todos têm nível de renda baixo, baixo padrão .tecnológico, baixo nível de escolaridade e consumo de calorias abaixo da média recomendada.
Em 1997, realizou-se a primeira reunião da Convenção da Desertificação, em Roma. Na conferência, definiu-se que o fenômeno da desertificação acontece mais em consequência da ação do homem do que por mudanças climáticas.
O Brasil sediou, em 1999, outra reunião para debater o assunto. Em Olinda, Pernambuco, representantes de 190 países discutiram o problema. Foram definidas nessa reunião as principais causas e implicações da desertificação.

A desertificação no mundo

Existe um total de 61,3 milhões de quilômetros quadrados de áreas degradadas em todo o mundo. Segundo a ONU, as áreas mais atingidas pela desertificação estão na África, Ásia, América do Norte, Austrália e América do Sul. A Europa é o continente menos atingido, com exceção da Espanha.

Os deslizamentos

A camada superficial do solo em terrenos incli¬nados tem a tendência de deslizar de cima para baixo. A velocidade e a intensidade desse deslizamento vão depender da maior ou menor permeabilidade dos solos e declive do terreno. O movimento mais lento (rastejamento) desse material costuma formar na base da inclinação um acúmulo de detritos que chamamos de bitus (talude). Quando, por qualquer interferência (humana ou natural), o talude é rompido, toda a encosta vem abaixo, Isso pode acontecer de forma violenta, originando tragédias. O homem pode acelerar o processo ao "cortar" o tálus para abrir estradas, construir casas, etc. Um desmatamento an¬terior da área contribui para agilizar o processo.

Impactos ambientais causados pela agricultura

A agricultura tem tido há muitos séculos a responsabilidade de fornecer alimentos para a humanidade. Para cumprir esse objetivo, já ocupou mais de um quarto da superfície terrestre.
A procura por terras cultiváveis já destruiu cerca de 30% das florestas originais dos continentes. Na verdade, a agricultura causou os primeiros impactos ambientais quando o homem aprendeu a cultivar plantas alimentícias e a criar animais. O crescimento populacional só fez agravar as consequências desses impactos.

A modernização do campo e os avanços tecnológicos dos últimos anos precisam ser analisados de ângulos diferentes. Se, de um lado, proporcionaram o aumento da produção de alimentos e a adoção de novas técnicas para a proteção do meio ambiente, de ou¬tro, não permitiram a igual distribuição desses benefícios. Além do mais, podemos dizer que a tecnologia que protege também agrava a degradação ambiental. O homem usa técnicas para combater a erosão do solo, mas o polui com o uso de agrotóxicos.
Quando falamos em avanços tecnológicos, não podemos esquecer que a maior parte dos países da Ásia, da África e da América Latina não tem acesso a essas melhorias. Além disso, são países situados nas regiões inter-tropicais, onde milhões de hectares de savanas, campos e florestas queimam todo ano.
Embora as estatísticas mostrem que a produ¬ção de alimentos é suficiente para manter a população mundial, a má distribuição e o mau uso das áreas agrícolas são responsáveis pela existência da enorme massa de famintos em muitas partes do mundo. Segundo a FAO (Fundo das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação), essa massa totali¬za 786 milhões de pessoas subnutridas.
Grande parte das terras ocupadas por atividades agrárias é formada por áreas de solos de baixa fertilidade ou por terrenos acidentados com pouca produtividade. Estima-se que mais de 60% das áreas agrícolas estejam em processo de degradação.
Entre os muitos impactos ambientais provoca¬dos pela agricultura estão a erosão e a contaminação dos solos por agrotóxicos, que podem atingir lençóis de água subterrânea, rios e lagos.

A erosão dos solos em áreas agrícolas

Esse é um problema que ocorre, de modo ge¬ral, em todo o mundo, sendo mais intenso na zona tropical, onde está situada a maioria dos países subdesenvolvidos.
A camada superficial do solo pode se desagregar nos preparativos para o plantio ou pelo desmatamento, quando há perda da vegetação que ajuda com suas raízes a segurar parte do solo.
Alguns cuidados, entretanto, podem evitar o desgaste dos solos agrícolas. Técnicas de cultivo podem impedir que grande parte do solo das lavouras seja levada pelas águas das chuvas.
O uso de plantio em curvas de nível reduz consideravelmente a velocidade do escoamento da água da chuva. É possível utilizar esse sistema em terrenos com pouca inclinação e que permitam o uso de tratores.
Quando a inclinação do terreno é maior, como em áreas montanhosas, a solução é usar a técnica do terraceamento (terraços). Cortes largos no terreno, dispostos em degraus, reduzem a velocidade da água e preservam o solo. Essa técnica é muito utilizada em países populosos da Ásia, porque possibilita um bom aproveitamento do solo.
Algumas culturas, como a de café, costumam deixar grandes pedaços de solo expostos à erosão.
Costuma-se plantar feijão nesses espaços vagos, para proteger o solo da erosão. Essa técnica é conhecida como associação de culturas.
Além da erosão dos solos, a agricultura trouxe um outro grave problema para o meio ambiente. As técnicas agrícolas modernas requerem o uso de vários produtos que, se por um lado facilitam a tarefa do homem do campo, por outro, agridem bastante a natureza. São fertilizantes, pesticidas e herbicidas conhecidos como agrotóxicos.
Esses produtos causam sérios danos à saúde dos trabalhadores rurais, que estão em contato direto com eles, e às pessoas que consomem os alimentos tratados com agrotóxicos.
As águas das chuvas carregam resíduos de agrotóxicos das plantações, contaminando as águas subterrâneas, os rios e os lagos das proximidades. São responsáveis, também, pela contaminação dos solos, tornando-os mais pobres, pois eliminam os microrganismos responsáveis por sua fertilidade. O uso excessivo de pesticidas faz aparecer pragas mais resistentes, o que torna necessário elevar a potência de ação do produto.
A solução encontrada, em alguns lugares, é substituir os fertilizantes químicos pêlos adubos orgânicos e fazer o controle biológico, que consiste na introdução de predadores naturais, em lugar dos pes¬ticidas e herbicidas.

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